sábado, 29 de junho de 2013

29 de junho

Hoje já não teve febre, a sutura estava bem! talvez, amanhã tenha alta....quero muito!

Hoje estava bem disposta mais animadita, tivemos as nossas conversetas, disse-me que tinha falado com dra. Piedade e como ela é sempre tão encorajadora, atenciosa fazendo ver o lado positivo das coisas. Ainda tivemos tempo para ver na internet umas colchinhas para a Diana (a neta da minha mãe têm cerca de 14 meses).

Na minha opinião a componente psicológica é um elemento que poderá valer imenso no processo de cura e, que é muito descurado por alguns componentes, nomeadamente por aqueles que são os detentores de informação - os médicos (limitado ao exemplo concreto que tenho da minha mãe e de outras companheiras de enfermaria). Não digo que precisem de fazer festinhas ou estar com miminhos para com os doentes,mas o facto de existir um contacto assíduo com um discurso pessoal, acessível e informativo poderá ser uma pedra preciosa a explorar! Pelo que a minha mãe me diz  existem cirurgiões que tem /ou fazem esse tempo... as pacientes confirmam e sentem-se acompanhadas e tranquilas! pequenas coisas que fazem a diferença. 

No nosso caso não sentindo este acompanhamento/esta comunicação temos contado com a tranquilidade e motivação de outros elementos: os enfermeiros sempre disponíveis e atenciosos, vendo a cada dia a evolução e como as coisas se passam - onde está a dor, se está mais ou menos inflamado, a medicação, o estimular para não estar sempre deitado (só que não podem dar informações clínicas remetendo sempre para o cirurgião); destaco de entre os enfermeiros, os estagiários, pelo facto de estarem a iniciar as suas carreiras e a complementarem a sua formação mostram-se ou são motivados, simpáticos, bem dispostos, airosos e constituem uma "massa" de ar fresco no ambiente hospitalar; os auxiliares, com este e aquele miminho no expoente a pentear as senhoras a colocar o creme, a dizer umas piadas, também acabam por estar muito próximos dos doentes e outro pessoal técnico mais  especializado - a psicóloga, ao motivar, ao conversar, ao dar uma voltinha aos doentes, ao tentar compreender as suas necessidades, as suas ânsias e as angústias, traz esperança e compreensão; as assistentes sociais, sempre disponíveis para darem respostas quando os diferentes departamentos não as dão, com atenção, amabilidade e disponibilidade!

Ora com isto só queria dizer como a comunicação é fundamental, pode pecar por não existir ou pela forma como é feita. Pela minha parte não quero palavras por serem palavras, quero apenas palavras, poucas até se forem as necessárias, desde que tragam tranquilidade e esperança!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

26 de Junho - novas notícias

Telefonei para saber como estava! Disse-me que estava bem e tinha uma boa notícia, fiquei contagiada e disse vens hoje para casa! Não...não vem;)

No início da manhã estava indicada para ir para o bloco, mas no decorrer da ronda das enfermeiras, a enfermeira de serviço ( peço desculpa pela impessoalidade mas a minha mãe não conseguiu ver o nome), por sinal muito atenciosa e simpática ( como aliás têm sido na maioria, apesar de existirem umas  mais queridas e  afectuosas, o que espoleta uma empatia maior, como é o caso da enfermeira Adelaide) e atenta observou que da costura debaixo (na zona do ânus) saía um pus. Na sequência deste novo dado após contactarem-me o médico responsável  decidiram que a minha mãe iria fazer antibiótico e não lhe seria retirado o catéter. Bem razão tinha ela ontem quando lhe disse que  a parte debaixo lhe doía...

Comentaram que a "descoberta" face à hipótese precedente era um "menos mal", a minha mãe ficou super feliz. Acrescentaram também que ás vezes é preciso tempo para os problemas se manifestarem.

Ainda bem que descobriram com tempo, espero no entanto que a tal ponta do catéter que estaria a causar o problema não volte novamente à ribalta.

E pensava eu que a "paleo" não era uma ciência exacta!obviamente que as repercussões são diferentes: num caso temos histórias sobre o passado no outro temos vidas humanas mais ou menos em risco! Não me choca...mas deixa-me apreensiva!

Afinal um dia de cada vez, por muito que eu não posso gostar (e ainda não contei essa história) é mais pertinente do que aquilo que eu pudesse julgar! 

Contribuições...

Eu sei que o blogue "umdia decadavez2013"  foi o espaço em que decidi partilhar o que estava a viver...mas gostaria de ter algum feed-back sobre outras experiências, opiniões e coisas para sair do monólogo do relato!

terça-feira, 25 de junho de 2013

25 de Junho - a tarde deste dia

Lá fomos nós...o mais rapidamente possível para estamos no primeiro minuto da hora das visitas! 

A minha mãe estava triste porque era mais uma coisinha que aparecia sem garantir que a febre passaria! Estava de facto desanimada;) tentei que ela se levantasse e fosse dar uma voltinha, mas não queria! estava focada naqueles pensamentos porque sentia que o problema poderia ter outra fonte nomeadamente na "costura" da zona do recto, que lhe tinha começado a doer!

No fundo queria perguntar a alguém, mas a minha mãe dizia que não o fizesse! mas tinha vontade!

 Quinta-feira, dia em que disse que não mais voltava ao hospital, não perguntaria mais nada a ninguém ,e em que odiei profundamente o sistema! Fiz um dia de pausa, mas depois, voltei no sábado , no domingo, ontem e hoje. Não consegui deixar de ir visitar a minha mãe, mas fiquei calada durante todos estes dias e não perguntei nada, com a excepção de hoje! 

Hoje um sininho soprou-me ao ouvido que deveria continuar a querer saber e a fazer as perguntas! era importante!

A medo (sim medo não é tipo o medo de  morte...talvez mais receio!ou talvez não sei o quê - tipo um querer mas ao mesmo tempo não querer falar ) abordei uma enfermeira que nomeou a enfermeira responsável e me acrescentou que o médico estaria por lá também! A enfermeira saiu e disse que a melhor pessoa para falar do assunto era o médico que estava mesmo ali ao lado, mandou-me entrar e eu fiz-lhe grosso modo as questões em que tinha pensado. Nomeadamente se a minha mãe seria operada amanhã, disse-me que não talvez no dia seguinte (não quero ser pessimista mas com a greve...não sei se será). Perguntei ainda depois de tirada a malfada ponta do catéter (sim porque é na ponta que poderá estar o problema) quanto tempo mais terá a minha mãe de ficar...24h foi a resposta e "óptimo" a minha! Assim escusamos de esperar todo o dia amanhã ou stressar a minha mãe a perguntar sobre a operação...

Nestes "entretantos" a minha mãe foi com as enfermeiras ver as costuras e se estava tudo bem, aparentemente está, mas a minha mãe sente-se perturbada com um corrimento vaginal que tem. Deram-lhe pensos e disseram-lhe que era normal...mas não a sinto tranquilizada! e é isto que não a está a deixar descansar!

No decorrer da tarde também passou a psicóloga  que tentou explicar à minha mãe que a situação era um mal menor, mas a minha mãe mostrou-se irredutível! 
Depois foi a minha vez de conversar com a psicóloga, após os acontecimentos acumulados até quinta, tinha necessidade de saber se não estava a ficar louca, e que a minha ansiedade não era fora do normal...não, não estou nem a ficar louca nem demasiado ansiosa! Ainda bem que pudemos falar deu-me tranquilidade e serenidade para poder estar ser mais e melhor com a minha mãe!obrigada!

Não sou muito de abraços nem abracinhos, mas agora apetece-me dar abracinhos a todas as pessoas que acho que me estão a fazer bem e isso terei de ser sincera aprendi-o na Sala das lupas .

A enfermaria  hoje esteve um bocadinho triste, persistiu um sentimento de perda em termos físicos e emocionais. Físicos obviamente por causa da doença, das dores e por aí; emocional pela dificuldade, compreensível, que as pessoas tem em aceitar a necessidade de dependerem de outros, nem que seja temporariamente! Descreveram momentos em que preparavam a casa para receber os familiares e falavam como se não mais o voltassem a conseguir fazer. Tentei dizer que voltariam a esses tempos mas teriam de esperar para ficar boas ...mas pouco consegui!Tentei também dizer que numas alturas ajudamos nós os outros noutras são os outros que nos ajudam...e a bola vai girando assim!






25 de Junho - mais um dia

Telefonou-me ela esta manhã fui a correr atender rapidamente o telefone tinha em mente a esperança que ela me diria que poderia ir buscá-la! Não!!!:( 
Disse-me a chorar que ou hoje ou amanhã iria ser operada para lhe tirarem o catéter central.

Esta pequena mini- história começa no dia 15 de Junho um dia após a operação calores e frios, calores e frios, fez antibiótico até à última sexta , mas a febre ia persistindo, sobre desce sobre desce, depois fizeram-lhe várias e análises e um Rx ao tórax ( como já havia dito). E isto eu agora a imaginar os parâmetros deviam estar todos bem sendo o único elemento estranho o catéter central...

Ontem estive a ler o folheto do catéter, e falavam de alguns raros efeitos secundários como febres , dor e inflamação no local, a minha mãe não sente os últimos dois.

Perguntas que eu gostaria de fazer e, por eventualmente alguém as achar absurdas coloco-as por aqui:

- As análises e os exames realizados apontam com segurança para o facto das febres estarem relacionadas com o catéter central? apesar da minha mãe não sentir no local dor nem inflamação?

- quais são as consequências desta eventual intervenção no processo de recuperação da intervenção cirúrgica anterior?

- e caso não seja o catéter?quais são as outras hipóteses de proveniência da febre?

- a continuidade destas febres está a pôr em risco a recuperação da minha mãe? (caso  não lhe tirem o catéter central)

A questão é que esta intervenção está a constituir mais um abalo emocional, apesar de perceber, na minha ignorância e conhecimentos limitados, que no meio disto este facto possa ser  pequeno!

No fim a minha mãe disse-me que não quer que lhe telefonem, nem que falem com ela! Obviamente que eu e o meu pai iremos à tarde!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Liliana - um nome e uma pessoa que admiro

Liliana é auxiliar no IPO chamou-me atenção pela maneira como olha para as pessoas...transmite carinho, atenção e mais qualquer coisa...boa, sincera (pelo menos aos meus olhos!)

Depois a energia (ás vezes lá vai ela apressada para fazer isto e aquilo), a paixão que imprime ao trabalho que faz vê-se em poucas pessoas! Não desfazendo da restante equipa umas mais outras menos...mas para mim e para outras pessoas que me acompanham seria nomeada a melhor do seu serviço!

Por isso aqui fica um espacinho para ela;)

24 de junho - mais um dia

Telefonei à minha mãe pela manhã para saber as novas...a febre não passa!

Hoje o médico veio falar com ela, além disso fez algumas análises e tirou um RX para ver de onde vem a eventual infecção que persiste em ser mais companheira que eu!!!! Desconfiam que possa ser do catéter central....caso seja terão de removê-lo pelo que me é dado  aperceber. Com isto tudo a minha mãe continua no hospital, talvez amanhã tenhamos mais notícias! E que sejam notícias que tragam uma resposta é o que peço ....gostar gostaria que ela fosse comigo para casa, mas racionalmente sei que é aqui que poderão acompanhar e tratar melhor qualquer coisa que ocorra!

A minha mãe encontra-se ligeiramente desanimada mas nada que uma visita querida não tempere com ânimo. A dra. Piedade veio visitá-la hoje, após o regresso das férias, veio dizer um olá e saber das novidades. A minha mãe nãos e cansa de dizer o quão simpática e querida ela é.

Depois também cá estou eu trago os beijinhos das pessoas com quem estive e trago todo o meu amor de filha...assim além do ânimo trago muito amor e coragem!!!!