sexta-feira, 19 de julho de 2013

17 e 18 de Julho - um dia mau o outro a seguir melhor

Ontem foi um dia de merda! Lembrem-me que nunca mais repita a frase “felizes os ignorantes”! Ontem foi mais um dia sem informação, o que deu espaço a todo o tipo de pensamentos, e, geralmente o vazio não se preenche com esperança. Basicamente a minha mãe está internada à quase uma semana, fez um exame que nunca mais quer fazer nas mesmas condições, espera biópsia do conteúdo retirado, tem exames marcados, tem visitas de médicos...e nada paira no ar, p**** de incerteza! Não bastava a ausência de qualquer informação comecei a bater mal por pensar que daqui a nada,  me irei embora, fartei-me de chorar passei o dia  a trabalhar e a chorar, como não conseguia ver muito bem ao microscópio (óbvio!?!) tinha de parar para lavar o rosto, e lá ia pondo creme na esperança que as lágrimas escorressem sem fazer mazelas. Agora parece-me uma piada, talvez me faça rir um dia, mas isto de ter pessoas internadas, num vai e vem no hospital, faz-nos envelhecer!!!! Valha-nos o creme! No final do dia tive dois telefonemas que para mim ficarão como muito importantes, quase diria marcantes pelo sentido de oportunidade trazendo-me as palavras que precisava...

Hoje pelo contrário, foi um dia que considero bom! Nada como uma vida em forma de montanha russa, nunca me queixei da intensidade, mas começo a pensar em moderação! Comecei a manhã a tentar ver uma amostra, eis que o computador manda tudo para o caraças e o que tinha feito foi à vida, um menos mal! Desliguei o computador e deixei-o descansar...também a dizer a verdade tem-se portado bem nos últimos tempos, falhou-me hoje – perdoei-lhe! Eram 10:30 pensava em telefonar à minha mãe, mas quis dar tempo porque ainda era relativamente cedo e no mesmo momento telefona-me a minha mãe –telepatia. De imediato lhe pergunto se é para a ir buscar, a verdade é que anseio que a minha mãe venha para casa ...não não vinha. Era para me contar que a médica-cirurgiã se tinha sentado junto dela a dizer-lhe que estavam a tratar do caso e o problema dela era qualquer  coisa terminado em "ioma" ( percebi na altura angioma e depois pela tarde disse-me mioma – assunto pendente que falta esclarecer). E que não iria ficar até agosto data de uma das próximos tacs, mas que amanhã faria um e quando estivesse bem iria embora – perspectivas de resolução! Alívio!!!!!!!!!!!!!Muito alívio!!!! E a minha mãe estava novamente animada;) Fiquei também feliz por existir notícia, por existir um nome, tanto que resolvi tratar de mim!

Umas das coisas que verifico é que é fundamental, diria crucial, este cuidado dos médicos relativamente aos pacientes, de lhes explicarem o que se passa e de terem um tempo com eles. É uma atitude que marca a diferença, dá tranquilidade e estabelece uma relação de respeito e consideração entre ambas as partes...infelizmente nem todos primam pelos mesmos cuidados!! O cirurgião que lhe fez a operação terá passado por lá, e da distância que estabelece com os doentes terá soltado que a minha mãe iria fazer uma TAC ...enfim, não vale mais a pena bater no ceguinho!!!!

No período das visitas fui até lá, levava coisinhas e o portátil – hoje iria iniciar a minha mãe no skype! Preciso que ela aprenda -será óptimo para ambas! Fomos para uma salinha mais resguardada, foi tomando alguns apontamentos e experimentando fazer pesquisas...

No meio das aventuras, os enfermeiros foram impecáveis porque levaram lá o antibiótico para ela tomar (ela tinha avisado que ia para lá) não a tendo obrigado a ir para o quarto  e brincavam com ela sobre os eventuais progressos! A minha mãe cansa-se muito, seja pela posição seja por ter de “puxar” pela cabeça...mas aos poucos lá foi indo! Pediu para ir descansar um bocadinho, compreendi, era muita coisa...tínhamos de ir devagar. E fomos...descansou, depois quis dar uma voltinha lá fomos! Descemos as escadas, é bom que faça movimentos e fomos até à entrada apanhar algum ar, conversamos também, tranquilamente. Conversamos sobre montes de coisas: sobre o que acontecia em casa com o meu pai, sobre a tia Maria que tinha tido alta e estava em casa, conversei sobre o meu dia de ontem e como tinha sido importante o apoio que tinha recebido. A propósito disso a minha mãe disse-me que estaria feliz se eu fosse feliz e que de modo algum poderia desistir das minhas coisas, e que as coisas estavam a ir e, ela ia fazer o que fosse possível para ficar boa. Fizemos planos que ela me iria ver quando ficasse boa e, que entretanto falaríamos por skype, e o Fernando quando viesse a Mortágua iria ver como estava. Falamos também que no meio de tudo até tínhamos sorte porque ela tinha perdido a mãe dela com 17 anos, a mãe dela não tinha visto o filho mais novo de 6 anos crescer, nem a neta que tinha. Falamos dos meus primos que tinham perdido num caso o pai e noutro os pais ( a mãe recentemente) e que eram mais novos do que ela, e eles mais novos do que eu, falamos com serenidade e com a consciência de que a vida é a prazo...foi muito tranquilo!! Não satisfaz porque é óbvio que não é o que queremos...mas apazigua a alma, não se tornando num fantasma do qual não se pode falar!

Voltamos para cima. A meio da tarde tinha pedido a uma amiga minha que se ligasse ao skype, pois já tinha criado a conta da minha mãe e explicado como lá chegar e queria que ela percebesse as reais potencialidades, estabelecemos uma ligação em que ela viu a minha amiga no video e a falar, acho que ficou bastante animada! Achou giro! Combinamos no dia seguinte eu fazer uma ligação do meu PC para o dela, veríamos depois a hora....

Passou-se o tempo, estivemos entretidas! Todavia tive pena de não ter conseguido falar com um médico para perceber a situação, a enfermeira que abordei também não estava a par! Amanhã é outro dia, depois do dia de  hoje!! Pois não sei se é do conhecimento geral que os dias passam um de cada vez...ou será que só se aprende isto quando se tem alguém doente!!!!


quarta-feira, 17 de julho de 2013

O meu maior amor

Por Natureza somos mãe e filha, pela vida torna-mo-nos cúmplices. Muitos poderiam pensar, e, alguns pensam, ao ver-me com ela que sou filha única, vislumbram uma eventual dependência que consideram típica. Mas enganam-se, não, não sou filha única nem sou a mais nova e, além disso sou extremamente independente, sai de casa para estudar tinha 17 anos e até aí sempre que me podia escapar ou me queiram levar eu ia, aliás desde que existo - segundo relatam os que me viam, ia atrás de qualquer um que me desse meio dedo de conversa. A relação não é de dependência é sim tão só muito amor, admiração e orgulho e, da minha parte falo, ter a maior sorte do mundo por ter nascido filha da minha mãe!

Não sei explicar, acho a minha mãe uma mulher inteligente, curiosa, altruísta (eu sou mais do que ela...também a vida deve tê-la contido), comunicativa (bem mais do que eu), criativa e também corajosa (talvez mais do que eu!),  bastante organizada (coisa que não lhe fui buscar), tinha como sonhos, simples – casar, ter filhos, construir uma casa e ter um carro: conseguiu tudo e ainda mais! Não escreveu o livro, mas tem apontamentos de mil e uma coisas dispersos desde as contas, as aventuras nos médicos e isto e aquilo! Também plantou árvores muitas, sobretudo ultimamente, gostava de plantar carvalhos ! Adora flores e jardins, mas insiste contra minha vontade, em plantar as flores às filas como se fossem as cebolas da horta – insisto em que defina quadrados ou círculos  mas ainda não a consegui convencer – teimosa! Aderiu apenas à poda das roseiras como lhe tinha ensinado!

Quando apareço porque basicamente desde 2005 tenho estado sempre longe, apesar das regularidade dos telefonemas, ficamos à conversa e mais conversa o que suscita ciúmes ao meu pai que diz que não nos calamos. Falamos de quase quase tudo, dos meus casos das minhas aventuras, das nossas tristezas, alegrias, de quem gostamos de quem não gostamos - temos sempre imenso que dizer!

Acresce ainda ter sempre usado coisas dela, tem coisas intemporais e para meu bem,  bem conservadas: sejam botas, carteiras, roupas algumas com mais de 30 anos! Volta e meia vou buscar algo ao guarda-roupa, redescobrindo algo mais!

Gostamos imenso de viajar (digamos que a minha mãe acaba por viajar comigo quando regresso e lhes mostro as fotografias de onde estive e por onde passei, inclusive por vezes recomenda-me viagens porque viu isto ou aquilo numa determinada reportagem) e de decoração – casas e coisas manuais são a nossa perdição (aliás gostamos de ver as revistas em conjunto para irmos mostrando e opinando).

Sei também que o o maior sonho dela para mim era que tivesse uma casa, mas ela sabe tão bem como eu, que eu não pertenço a lado nenhum!!! O meu lugar é aquele onde me sinto bem!!


Basicamente adoro a minha mãe e temos uma relação de extrema cumplicidade, na realidade sinto que sou a extensão dos sonhos dela! Daquilo que ela gostaria de ter feito, mas devido aos condicionamentos sociais e pessoais acabou por não fazê-lo e acaba por vivê-lo através de mim...por isso tenho uma responsabilidade e a tal dependência ! Ela é simplesmente o meu maior amor;) 

terça-feira, 16 de julho de 2013

16 de Julho - um dia assim assim

Hoje tinha decidido ficar em casa a trabalhar para compensar os atrasos, mas o meu pai disse-me que queria ir ver a minha mãe e que tinha de passar pelo meu irmão que tinha medicamentos para ele! Bom lá fui eu, a minha mãe fica preocupada desde que o meu pai adormeceu e teve o acidente e, eu prefiro minimizar preocupações desnecessárias.

A minha mãe estava relativamente bem, não tanto quanto ontem, hoje voltou a ter febre, apesar de continuar a antibiótico...situação que a deixa nervosa como é óbvio – raios partam a febre que vai e vem! Não temos ideia se terá alta :( 

Quando me despeço apetece-me dar-lhe montes de abracinhos e digo-lhe que gosto muito dela e quero que ela fique boa. Abordamos outro assunto de raspão perguntou-me se eu já tinha arranjado as minhas coisas, e isto tão só porque me vou embora no início de Agosto! Como é óbvio não tenho tido grande tempo de arranjar o que quer que seja, tenho de acabar o trabalho e depois penso nisso! Disse-me ainda que ela vai-me mostrar que eu não me preciso de preocupar porque vai fazer tudo para ficar boa...obviamente que este é um assunto sensível e vieram-me as lágrimas aos olhos!

A vida prega-nos partidas: dá e tira, podia era ser faseado e não tudo ao mesmo tempo, pedi muito para ter este emprego- consegui-o! E estou feliz...mas será que conseguirei viver longe sabendo o estado da minha mãe! Sei perfeitamente que a minha mãe nem coloca a questão de eu não ir, a sra. Helena também falou comigo e disse-me que nenhuma mãe quereria que um filho seu desistisse da sua vida e que deveria ir! E irei...depois logo se vê como consigo encaixar as coisas, as minhas vindas, férias e por aí! A realidade é que a disponibilidade e possibilidade que tenho tido nestes últimos tempos de acompanhar a minha mãe, é quase como água no deserto. Existe, mas é rara...e posso agradecer imenso à minha chefe que tem compreendido a situação, por isso sinto obrigação de continuar a dar o meu melhor contributo ao projeto!


Nos entretantos destes dias também tenho contado com  pessoas que me estão a tentar ajudar nomeadamente, a aconselhar-me e esclarecer-me sobre eventuais caminhos que possa trilhar tendo em vista o melhor tratamento para a minha mãe e a compreensão da doença no contexto familiar e, se eventualmente poderá ser alvo de estudo por um grupo de investigação. Veremos o que se conseguirá... 

15 de Julho - vontade de vencer

Hoje andei na azáfama das burocracias, passei pelo Centro de Saúde para levantar um papel que levaria a minha mãe para assinar. 

Entretanto, pelos lados de Coimbra, no decorrer da manhã a minha mãe fez análises, não apresentou febre e tem menos dores já se começando a sentar melhor. Ainda teve tempo para abordar o cirurgião que a operou perguntando-lhe sobre o problema dela: se os nódulos do fígado estavam antes ou só tinham aparecido depois da operação e, nomeadamente se a TAC pélvica que está marcada, não deveria ser alargada a outras partes para ver como está o resto. O médico foi apanhado de surpresa, não soube o que responder, e disse que ia ver o processo...não soube mais nada!

Passei juntamente com o meu pai ao início da tarde para que ela assinasse o papel e o trouxesse...ainda tivemos tempo para dar umas voltinhas pelo hospital. Além disso ainda foi dia de gelado, já no outro dia a minha mãe me tinha dito que lhe apetecia um gelado, desta vez voltou a dizer o mesmo, perguntei aos enfermeiros se podia, uma vez que come comida de dieta, disseram que sim...ela gosta muito de morango e pensei que quisesse o habitual corneto de morango – mas não, queria especificamente um gelado de baunilha com cobertura de chocolate  porque era isto que lhe apetecia, assim foi: comeu um magnum com muito prazer! Ainda tivemos a visita da Sra. Helena sempre querida, animadora e disponível ...ainda se riu com a minha mãe! Obviamente que me senti feliz por ver a minha mãe bem disposta e cheia de energia.

Entretanto passei pelo Centro de Saúde para entregar o papel e despachar o assunto...mas, tinham-me dado o papel errado! O funcionário pediu imensas desculpas, nem sei o que senti, como basicamente vou todos os dias a Coimbra, acaba por ser menos grave...enfim!!! Adiante...que todos os males sejam semelhantes...


O meu pai já se portou melhor, como já não tem dores, fica mais condescendente e mais tranquilo. Cozinhei o almoço e o jantar, à noite disse-me para ir dar uma voltinha fomos com a Lira, vimos uma raposa pelo caminho. Aproveitei para falar com ele sobre a situação e que se deveria tratar para tomar bem conta da minha mãe mas ele diz que agora não se pode tratar porque se for vai ter de ficar internado e agora não pode ser (pensamentos dele, apesar de não se tratar acaba por ser um hipocondríaco esquisito, mas na realidade não deve andar muito bem!). Hoje no Centro de Saúde também abordei a Delegada de Saúde sobre a questão do meu pai, ela disse-me que é possível fazerem um acompanhamento ao cuidador, além disso, na sexta quando formos tratar dos assuntos pendentes ela falará com o meu pai...espero que ele não reaja mal!

domingo, 14 de julho de 2013

uma música - Quero é viver! versão Humanos

a música:

http://www.youtube.com/watch?v=yG7334OWRkg

a letra:

Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer
e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir
encontrar, renovar, vou fugir ou repetir
vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã 
eacredito que será mais um prazer
a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com idade
interessa-me o que está para vir
a vida, em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir
encontrar, renovar vou fugir ou repetir
vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer

13 e 14 de Julho - mais dois dias e um fim-de-semana

Mais dois dias e um novo fim-de-semana com a minha mãe no hospital. Ontem, sábado fomos visitá-la estava mais ou menos bem disposta,  já andava, fiquei preocupada  pois o intestino estava um bocadinho parado...talvez fosse normal. Já começava a ficar restabelecida do “exame” de sexta do qual só diz “prefiro morrer a ter de fazer novamente coisa semelhante”. Basicamente esteve um par de horas ou mais a ser picada para drenar o liquido que se acumulou na zona interior às nádegas e a entrar e sair da máquina. Valeu-lhe o médico e a enfermeira serem, segundo ela, cuidadosos e excepcionais tentando acalmá-la e sossegá-la a cada momento. Só posso imaginar!!!!

Fizemos também um balanço de vida, do que poderia estar pela frente, falei-lhe do exemplo do meu tio que quando lhe foi diagnosticado cancro tinha na melhor das hipóteses dois anos e acabou por ficar oito.  Conhecemos a atitude fantástica que sempre teve, viver a vida como se nada tivesse, não pensar na doença...achamos que a fórmula pode ser esta juntamente com o melhor apoio médico que possamos obter! Acho que me ouviu e as coisas fizeram sentido para ela!!!!

Ontem senti-me muito cansada e não consegui trazer o carro por isso pedi a meu pai que o trouxesse, dormi todo o caminho! Cheguei a casa descansei um bocadinho, estive na conversa com o Fernando...pois o meu pai começava a dar sinais de mau humor, ralhava e destratava-me a cada momento por qualquer coisa que fizesse! Estava impossível, para não me chatear refugiei-me a contar as minhas amostras e depois fui ver televisão antes de me deitar. Voltou novamente à carga acusando-me de ter a televisão alto demais. Senti que estava numa prisão, tudo que eu fizesse era motivo para me atacar!

Basicamente sabemos que o meu pai fica impossível à noite, mas desta vez está por demais irritante...na realidade está com dores nas costas e, como não se trata sofre e faz sofrer os outros! Resolvi ignorá-lo porque caso contrário  a coisa complica-se ainda mais e entramos em confronto.

Hoje, domingo, levantei-me resolvi começar a contar amostras uma vez que tinha o trabalho atrasado por causa de quinta. Acabei a primeira por volta das 12h, altura em que desci para baixo e tomei um pequeno-almoço alargado, coloquei roupa na máquina e fiz um intervalo de descanso esperando que a máquina acabasse de lavar. Não dei muita atenção ao meu pai pois quando anda mal disposto é extremamente agressivo e eu também tenho de me proteger, afinal estamos só os dois. Mas esta situação revolta-me um bocadinho porque considero que o meu pai está ser bastante ingrato além de ser teimoso, apesar de estarmos a tentar protegê-lo dos acontecimentos relativos à minha mãe. E eu começo a ficar farta desta situação porque afinal sinto que estou a protegê-lo quando ele não merece e, apesar de poupado, descarrega as frustrações e as dores que sente em quem está mais próximo...e por azar sou só eu :( .

Durante esta pausa ainda tive tempo para telefonar à minha mãe, (pois hoje não fui ao hospital já tinha abordado com ela ontem) perguntar-lhe como estava, disse-me que estava bem que tinha dormido, e que já se ia sentando. Tinha também falado com a médica pela manhã, tinha perguntado como estava a situação dela e disse-lhe que tinha de ficar boa pois queria iniciar os tratamentos de quimioterapia. Segundo a minha mãe, a médica disse-lhe que estão a tratar de tudo, inclusive talvez ir a um ginecologista pois antes da alta tinha e continua com um corrimento, além disso irá falar com a oncologista que a acompanha para verem a situação. Fiquei feliz, está a reagir com força e quer ficar bem...é o que precisamos: que ela reaja e vá à luta! Temos mãe;)

Durante a tarde, como não fiz mais nada, tentei aproveitar o tempo e contar mais amostras, aliás foi o dia todo. A situação com o meu pai vai de mal a pior, como não lhe ligo, vitimiza-se...enfim! Ainda por cima teve a visita do meu irmão e do sogro devia ter ficado mais feliz...se ficou, foi temporário! Gostava tanto de poder estar tranquila!





sexta-feira, 12 de julho de 2013

um poema - Contemplo o que não vejo, Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

Contemplo o que não VejoContemplo o que não vejo. 
É tarde, é quase escuro. 
E quanto em mim desejo 
Está parado ante o muro. 

Por cima o céu é grande; 
Sinto árvores além; 
Embora o vento abrande, 
Há folhas em vaivém. 

Tudo é do outro lado, 
No que há e no que penso. 
Nem há ramo agitado 
Que o céu não seja imenso. 

Confunde-se o que existe 
Com o que durmo e sou. 
Não sinto, não sou triste. 
Mas triste é o que estou. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"