Mais dois dias e um novo
fim-de-semana com a minha mãe no hospital. Ontem, sábado fomos visitá-la estava
mais ou menos bem disposta, já andava,
fiquei preocupada pois o intestino
estava um bocadinho parado...talvez fosse normal. Já começava a ficar
restabelecida do “exame” de sexta do qual só diz “prefiro morrer a ter de fazer
novamente coisa semelhante”. Basicamente esteve um par de horas ou mais a ser picada
para drenar o liquido que se acumulou na zona interior às nádegas e a entrar e
sair da máquina. Valeu-lhe o médico e a enfermeira serem, segundo ela, cuidadosos
e excepcionais tentando acalmá-la e sossegá-la a cada momento. Só posso
imaginar!!!!
Fizemos também um balanço de
vida, do que poderia estar pela frente, falei-lhe do exemplo do meu tio que
quando lhe foi diagnosticado cancro tinha na melhor das hipóteses dois anos e
acabou por ficar oito. Conhecemos a
atitude fantástica que sempre teve, viver a vida como se nada tivesse, não
pensar na doença...achamos que a fórmula pode ser esta juntamente com o melhor
apoio médico que possamos obter! Acho que me ouviu e as coisas fizeram sentido
para ela!!!!
Ontem senti-me muito cansada e
não consegui trazer o carro por isso pedi a meu pai que o trouxesse, dormi todo
o caminho! Cheguei a casa descansei um bocadinho, estive na conversa com o
Fernando...pois o meu pai começava a dar sinais de mau humor, ralhava e
destratava-me a cada momento por qualquer coisa que fizesse! Estava impossível,
para não me chatear refugiei-me a contar as minhas amostras e depois fui ver
televisão antes de me deitar. Voltou novamente à carga acusando-me de ter a
televisão alto demais. Senti que estava numa prisão, tudo que eu fizesse era
motivo para me atacar!
Basicamente sabemos que o meu pai
fica impossível à noite, mas desta vez está por demais irritante...na realidade
está com dores nas costas e, como não se trata sofre e faz sofrer os outros! Resolvi
ignorá-lo porque caso contrário a coisa
complica-se ainda mais e entramos em confronto.
Hoje, domingo, levantei-me
resolvi começar a contar amostras uma vez que tinha o trabalho atrasado por
causa de quinta. Acabei a primeira por volta das 12h, altura em que desci para
baixo e tomei um pequeno-almoço alargado, coloquei roupa na máquina e fiz um
intervalo de descanso esperando que a máquina acabasse de lavar. Não dei muita
atenção ao meu pai pois quando anda mal disposto é extremamente agressivo e eu
também tenho de me proteger, afinal estamos só os dois. Mas esta situação
revolta-me um bocadinho porque considero que o meu pai está ser bastante
ingrato além de ser teimoso, apesar de estarmos a tentar protegê-lo dos
acontecimentos relativos à minha mãe. E eu começo a ficar farta desta situação
porque afinal sinto que estou a protegê-lo quando ele não merece e, apesar de
poupado, descarrega as frustrações e as dores que sente em quem está mais
próximo...e por azar sou só eu :( .
Durante esta pausa ainda tive
tempo para telefonar à minha mãe, (pois hoje não fui ao hospital já tinha abordado com ela ontem) perguntar-lhe como estava, disse-me que
estava bem que tinha dormido, e que já se ia sentando. Tinha também falado com
a médica pela manhã, tinha perguntado como estava a situação dela e disse-lhe
que tinha de ficar boa pois queria iniciar os tratamentos de quimioterapia. Segundo
a minha mãe, a médica disse-lhe que estão a tratar de tudo, inclusive talvez ir
a um ginecologista pois antes da alta tinha e continua com um corrimento, além
disso irá falar com a oncologista que a acompanha para verem a situação. Fiquei
feliz, está a reagir com força e quer ficar bem...é o que precisamos: que ela
reaja e vá à luta! Temos mãe;)
Durante a tarde, como não fiz mais
nada, tentei aproveitar o tempo e contar mais amostras, aliás foi o dia todo. A
situação com o meu pai vai de mal a pior, como não lhe ligo, vitimiza-se...enfim!
Ainda por cima teve a visita do meu irmão e do sogro devia ter ficado mais
feliz...se ficou, foi temporário! Gostava tanto de poder estar tranquila!
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