domingo, 14 de julho de 2013

13 e 14 de Julho - mais dois dias e um fim-de-semana

Mais dois dias e um novo fim-de-semana com a minha mãe no hospital. Ontem, sábado fomos visitá-la estava mais ou menos bem disposta,  já andava, fiquei preocupada  pois o intestino estava um bocadinho parado...talvez fosse normal. Já começava a ficar restabelecida do “exame” de sexta do qual só diz “prefiro morrer a ter de fazer novamente coisa semelhante”. Basicamente esteve um par de horas ou mais a ser picada para drenar o liquido que se acumulou na zona interior às nádegas e a entrar e sair da máquina. Valeu-lhe o médico e a enfermeira serem, segundo ela, cuidadosos e excepcionais tentando acalmá-la e sossegá-la a cada momento. Só posso imaginar!!!!

Fizemos também um balanço de vida, do que poderia estar pela frente, falei-lhe do exemplo do meu tio que quando lhe foi diagnosticado cancro tinha na melhor das hipóteses dois anos e acabou por ficar oito.  Conhecemos a atitude fantástica que sempre teve, viver a vida como se nada tivesse, não pensar na doença...achamos que a fórmula pode ser esta juntamente com o melhor apoio médico que possamos obter! Acho que me ouviu e as coisas fizeram sentido para ela!!!!

Ontem senti-me muito cansada e não consegui trazer o carro por isso pedi a meu pai que o trouxesse, dormi todo o caminho! Cheguei a casa descansei um bocadinho, estive na conversa com o Fernando...pois o meu pai começava a dar sinais de mau humor, ralhava e destratava-me a cada momento por qualquer coisa que fizesse! Estava impossível, para não me chatear refugiei-me a contar as minhas amostras e depois fui ver televisão antes de me deitar. Voltou novamente à carga acusando-me de ter a televisão alto demais. Senti que estava numa prisão, tudo que eu fizesse era motivo para me atacar!

Basicamente sabemos que o meu pai fica impossível à noite, mas desta vez está por demais irritante...na realidade está com dores nas costas e, como não se trata sofre e faz sofrer os outros! Resolvi ignorá-lo porque caso contrário  a coisa complica-se ainda mais e entramos em confronto.

Hoje, domingo, levantei-me resolvi começar a contar amostras uma vez que tinha o trabalho atrasado por causa de quinta. Acabei a primeira por volta das 12h, altura em que desci para baixo e tomei um pequeno-almoço alargado, coloquei roupa na máquina e fiz um intervalo de descanso esperando que a máquina acabasse de lavar. Não dei muita atenção ao meu pai pois quando anda mal disposto é extremamente agressivo e eu também tenho de me proteger, afinal estamos só os dois. Mas esta situação revolta-me um bocadinho porque considero que o meu pai está ser bastante ingrato além de ser teimoso, apesar de estarmos a tentar protegê-lo dos acontecimentos relativos à minha mãe. E eu começo a ficar farta desta situação porque afinal sinto que estou a protegê-lo quando ele não merece e, apesar de poupado, descarrega as frustrações e as dores que sente em quem está mais próximo...e por azar sou só eu :( .

Durante esta pausa ainda tive tempo para telefonar à minha mãe, (pois hoje não fui ao hospital já tinha abordado com ela ontem) perguntar-lhe como estava, disse-me que estava bem que tinha dormido, e que já se ia sentando. Tinha também falado com a médica pela manhã, tinha perguntado como estava a situação dela e disse-lhe que tinha de ficar boa pois queria iniciar os tratamentos de quimioterapia. Segundo a minha mãe, a médica disse-lhe que estão a tratar de tudo, inclusive talvez ir a um ginecologista pois antes da alta tinha e continua com um corrimento, além disso irá falar com a oncologista que a acompanha para verem a situação. Fiquei feliz, está a reagir com força e quer ficar bem...é o que precisamos: que ela reaja e vá à luta! Temos mãe;)

Durante a tarde, como não fiz mais nada, tentei aproveitar o tempo e contar mais amostras, aliás foi o dia todo. A situação com o meu pai vai de mal a pior, como não lhe ligo, vitimiza-se...enfim! Ainda por cima teve a visita do meu irmão e do sogro devia ter ficado mais feliz...se ficou, foi temporário! Gostava tanto de poder estar tranquila!





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