Obviamente que no meio destes eventos todos existem partes e momentos...em que boas pessoas se mostram e não poderia deixar de mencioná-los!!!
Em meados de fevereiro, sabendo que a minha tia não estaria bem, uma anemia continuada, gripes que não passavam, infecções urinárias que apreciam telefonei à minha prima. No meio da conversa ela disse-me literalmente que não existiria nada a fazer pela mãe porque estava tudo espalhado e que ela iria morrer! Uma pessoa fica sem palavras, são realidades muito cruas e derradeiras! Disponibilizei a minha ajuda, incentivei com força e coragem e por aí!
Na altura a minha prima disse-me para não contar nada à minha mãe, que estava a iniciar os tratamentos! Vários familiares também me aconselhavam no sentido de não contar nada à minha mãe, percebi isso, mas também entendia que se acontecesse algo à minha tia, caso a minha mãe não soubesse iria ser um choque...então decidi recorrer a ajuda especializada, sabendo que existia psicóloga no hospital dirige-me lá e falei-lhe na situação e aconselhei-me sobre o que deveria fazer - que era não esconder! A psicóloga é a Dra. Piedade Leão, mostrou-se extremamente disponível e acrescentou que caso precisasse poderia aparecer!
Entretanto um parêntesis, o meu tio, irmão mais novo da minha mãe morreu há um ano - cancro de pulmão. era uma pessoa extremamente querida por toda a família e muito divertido e falador, queria viver e fazia-o, a doença para ele não existia, tinha sido diagnosticada há cerca de 8 anos e de quimio em quimio lá ia, cada vez estava mais magro, mas sempre com aquele sorriso e sem queixume...é a força de inspiração para a minha mãe que acha que tem de seguir o mesmo caminho! Saliento também que tinha um acompanhamento médico extraordinário, teve acesso a todos os exames e também a tratamentos experimentais e medicamentos extremamente dispendiosos. Uma das minhas primas é enfermeira e conseguiu acompanhar todo o processo. Além disso e à semelhança do que acontece com outros médicos, no caso de doentes oncológicos, sempre teve o contacto pessoal da médica caso precisasse. Por seu lado a minha tia, irmã mais nova, que tinha cancro no recto tinha sido operada há cerca de 5 anos, tinha tido uma atitude diferente, tinha reagido mal à colostomia definitiva e o exemplo que a minha mãe retirava desta história é que existia sucesso e que o saco não constituía um fim em si!E havia esperança (palavra tão querida)!
Voltando à história principal...
ora depois de falar com a psicóloga e ficar com o email dela para qualquer esclarecimento, ficou acordado que a mesma a convocaria. Falei com a minha mãe ...relutante no início mas lá foi e não se sentiu mal! e várias vezes voltou por este ou aquele motivo, inclusivamente para ajudar outros pacientes...e a minha mãe descreve-a como uma simpatia e um amor de pessoa! E gosta imenso dela!
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