Para dar um enquadramento do processo até este dia deixo aqui um e-mail que enderecei aos serviços de gastroenterologia do IPO de Lisboa, em 13 de Dezembro vendo que a situação em Coimbra não avançava:
No dia 31 de Agosto de 2012, a minha mãe - Arminda Magalhães Domingues, desloca-se ao Centro de Saúde de Mortágua, uma vez que apresentava uma diarreia persistente que teimava em não desaparecer. A médica de família (Dra. Suzana Melo) encontrava-se ausente, pelo que é consultada pela Dra. Filipa Bernardes à qual manifesta a sua preocupação para a situação relatando todo um historial familiar de doenças oncológicas (até à data 11 pessoas) destacando o caso de uma irmã que teria apresentado os mesmos sintomas e à qual foi diagnosticado um cancro do cólon-recto e também o falecimento de um irmão em Fevereiro do presente ano com cancro do pulmão. Na sequência da exposição das suas preocupações solicita que lhe sejam prescritos exames para averiguar a situação... a médica prescreve uma série de medicamentos mas diz que não pode passar exames e que por isso terá de ir à médica de família.
Todavia os medicamentos prescritos não fizeram qualquer efeito e no dia 14 de Setembro a minha mãe volta, novamente ao centro de saúde de Mortágua, desta vez sendo atendida pela médica de família a Dra. Suzana Melo, que decide enviá-la para os cuidados de Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC). Nos HUC é atendida pelo Dr. Rui Manuel Ribeiro, que não lhe fazendo qualquer exame apesar das queixas lhe prescreve mais uns medicamentos, adiantando que se trata de uma cólica.A minha mãe volta mais uma vez para casa e leva a cabo o tratamento, tendo ficado mais descansada após o diagnóstico do médico.
No entanto, passado um mês (15 de Outubro) os sintomas persistem sem sinais de melhoria, pelo que volta ao centro de Saúde, e é atendida pela médica de família que lhe prescreve exames vários- urina, fezes, sangue, endoscopia e colonoscospia (salvo erro esta é realizada em finais de Outubro) e entretanto marca uma consulta para a especialidade de Cirurgia B dos HUC.
No decorrer da colonoscopia são-lhe detetada uma massa de células suspeitas, das quais são retiradas algumas amostras para realizar uma biópsia.
Passado cerca de um mês (26 de Novembro) é chamada para a consulta de especialidade de cirurgia B, sendo atendida pelo Prof. Dr. António Pinho, consulta à qual também resolvo ir. Nesta consulta é-lhe diagnosticado cancro maligno do reto. O médico solicita-lhe que faça 3 TAC , dando-nos uma credencial para entregarmos no mesmo edifício dos HUC e dizendo que necessita de repetir a biópsia de modo a mostrar que as células malignas se encontram efetivamente presentes, no entanto no decorrer da semana entraria em contato connosco para efetuar o mais rapidamente a marcação da nova biópsia. Neste dia a minha única reação foi chorar não tendo conseguido reagir ou perguntar o que quer que fosse...mas decidida a resolver a situação e convencida que o sistema reagiria prontamente atendendo à doença que era agora diagnosticado.
Entretanto no mesmo dia tento marcar o referido exame sendo-me referido que a lista de espera é imensa...e resolvo não esperar e no mesmo dia a minha mãe faz as 3 TAC e na semana seguinte obtém os resultados do mesmo, saberia nos entretantos que as TAC tinham sido agendadas nos HUC para 30 de Janeiro. No que diz respeito à biópsia aguardamos até quarta, não existindo notícias, o meu irmão resolve telefonar e perguntar se não poderemos tratar nós do assunto uma vez que queremos as coisas o mais rapidamente possíveis. Conseguimos marcar rapidamente novo exame e mais uma vez a minha mãe faz rapidamente o exame e consegue ter tudo pronto.
No dia 10 de Dezembro, desloca-se sem marcação, uma vez que tem os resultados do exame, à consulta de modo a que lhe sejam vistos os exames e possa ser encaminhada. Como não tem consulta decidimos ir cedo, pois a consulta começa por volta das 14h. Entretanto temos conhecimento que o Prof. Dr. António Pinho não se encontra, e está a substituí-lo o Dr. Carlos Vila Nova, tento explicar que a nós tanto nos dá ser um como outro uma vez que a minha mãe só foi atendida por ele uma vez e aquilo que queremos é ser encaminhados de modo a que a minha mãe possa começar a ser efetivamente tratada. Somos atendidas por volta das 19h, explicando a nossa situação e mostrando as TAC e a nova biópsia, entretanto é-nos referido que terá de efetuar uma ressonância magnética, no entanto esta será encaminhada pelo médico e mais uma vez com pedido de urgência. Decidimos esperar pela marcação da mesma uma vez que estávamos a verificar que o fato de conseguirmos ter exames prontos o mais rápido possível não estava a ser motivo de celeridade. O exame é então marcado para dia 21 de Dezembro. Entretanto tendo conhecimento desta data a minha mãe resolve marcar a consulta, explicando a situação em que se encontra, é-lhe referido que só tem vaga para Fevereiro. A minha mãe recusa-se a marcar a consulta porque começa a ficar desesperada devido a não ver o início do tratamento porque anseia.
No decorrer de todo este processo deparei-me com a análise dos níveis de prioridade de atendimento, definidos na Portaria 1529/2008, sendo que as definições para marcação da primeira consulta CR são de 15 dias num caso de nível 2, como é possível que os próprios exames complementares excedam esse intervalo de tempo e que acumulados o tripliquem.
Neste momento, à excepção da ressonância temos todos os exames, na TAC a conclusão é que minha mãe tem uma neoplasia maligna do recto T3 longo/T4 N2 M0. Destaco o facto de existirem "sinais de infiltração da gordura peri-rectal assim como da fáscia meso-rectal havendo também duvidosos planos de clivagem com o colo do útero e também na porção mais alta do tumor com o intestino delgado. Visualizamos várias adenopatias na gordura peri-rectal, a maior com 14 mm."
A minha mãe mora em Mortágua e eu vivo em Lisboa, eventualmente terei de trazê-la para cá , uma vez que não consigo prestar-lhe o apoio que ela necessitará em Mortágua. Deste modo, gostaria de saber se seria possível marcar uma consulta de modo a que o problema dela seja resolvido o mais rápido possível, uma vez que a minha mãe encontra-se com diarreia persistente há 5 meses, andando a perder sangue, e, ultimamente tem tido mais dores,basicamente passa o dia a ir à casa de banho e, por vezes não se consegue conter, situação que a tem vindo a desanimar imenso.
Lamento desde já qualquer inconveniente que possa ter causado, ajo no entanto com ansiedade e tristeza, mas sem perder a esperança que a minha mãe não é apenas um número mas uma pessoa que muito em breve será tratada. Sem mais assunto, e agradecendo a atenção dispensada e disponibilidade que se venha a manifestar, agradeço com os meus mais sinceros cumprimentos
Sandra Gomes
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