terça-feira, 9 de julho de 2013

08 de Julho - a adaptação a casa

No início desta semana, obviamente cansada, anda a dormir mais. Na segunda foi ao Centro de Saúde as cicatrizes encontram-se bem, e não tinha febre, todavia persistem as dores das quais sempre se queixou na zona perineal. A enfermeira do Centro de Saúde perguntou se estávamos a efectuar alguns procedimentos de lavagem /desinfecção, dissemos que não pois não tinham sido dadas indicações nesse sentido à minha mãe. Deste modo, aconselhou-nos a fazer lavagem e desinfecção. Assim vamos começar!. Após colocar a iodopovidona sente ardor mas depois as dores tendem a perder intensidade, pois tem uma pontinha de tecido na zona do ânus. Por vezes as dores são intensas e ela define-as como sendo “guinadas” muito fortes. Sentia-me mais feliz se percebesse o porquê destas dores! serão devidas à tal reminiscência das hemorróidas? e o que irá acontecer com o passar do tempo? Como poderemos minimizar esta situação?

No decorrer do dia telefonou ainda para a imagiologia e para a secretária da médica de oncologia para saber acerca do TAC que era suposto fazer, ninguém sabe de nada. …parece-me que já conheço esta história! No entanto a secretária da médica recomendou-lhe que apareça na consulta de todas as maneiras e que talvez no decorrer da semana lhe telefonem da imagiologia (de volta à “volatilidade” das marcações)! Tenho duas hipóteses: a optimista, segundo esta o TAC que deverá ser feito foi integrado com aquele que fez na terça e por isso não precisa de fazer novamente; a pessimista, o sistema de comunicação volta a falhar de novo! Esperando que seja a primeira hipótese não vejo porque não foi comunicado à minha mãe que não se preocupasse com o “suposto” TAC marcado a anteceder a consulta de quimio, atendendo aos acontecimentos de ter tido de realizar um TAC extra e com outro fim! Relativamente a estas marcações de boca, neste momento resolvi retirar-me porque já cheguei à triste conclusão que é difícil obter informações e os  resultados fazem-me sentir frustrada na maior parte das vezes!


Foi também um dia de muitos contactos, no meio dos quais uma senhora que conheceu aquando do internamento da colostomia. A senhora estava triste disse-lhe que depois do cancro da mama, tinha agora qualquer coisa no pâncreas e que o seu ânimo tinha ido abaixo tendo pensado muito em morte. Pela seguimento da conversa percebi que tinha uma consulta com a psicóloga tendo a minha mãe referido que seria muito bom para ela e que já lá tinha ido uma série de vezes e só tinha a dizer bem, e que a psicóloga a iria encorajar e dar-lhe todo o ânimo! Porque nestas ocasiões é preciso ter muita força e manter a boa disposição! E lá esteve a minha mãe num discurso de encorajamento e solidariedade! No final aproveitei a deixa para falar sobre os resultados dos exames patológicos ao que a minha mãe respondeu que depois das peripécias todas, já está preparada para quase tudo e que logo se vê! Eu por mim sei que não vou ser tão forte como ela. É por isso que acho a minha mãe espectacular por toda a força e energia que transmite … e tento aproveitar como posso para estar com ela neste momento, fazendo da doença dela algo que pode partilhar e na qual não se encontra sozinha! Gostava de ter a força dela, tenho imensa admiração pela postura, pela vivência dela e até pelo entusiasmo…é um orgulho ser filha da minha mãe!!!

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