terça-feira, 2 de julho de 2013

Retrato de família - o meu irmão!

 O meu irmão é neste momento uma desilusão para mim! Dizem que as pessoas não nos desiludem, mas isso são as outras pessoas - não são aquelas com que crescemos, que as vimos começar a ser, que acompanhamos e sabíamos ou imaginávamos mais ou menos com o que poderíamos contar.
O meu irmão era uma pessoa que gostava imenso de se divertir, numa altura exageradamente, era muito amigo dos seus amigos! cresceu obviamente e a sua vida teria de mudar todos sabíamos, constitui família e tem uma bébé, o que não sabíamos era que passaria do exagero da falta de responsabilidade ao excesso dela, chegando a achar que só ele é que a tem!
A abordagem ao caso da minha mãe é caricata no minímo, numa primeira instância quando soube da notícia informou-se junto de não sei quem e disse que não era nada (achamos que estaria a passar por uma fase de negação)! Manteve a sua distância porque para ele não era muito significativo!
Uma das primeiras histórias (em Dezembro) ocorre quando a minha mãe por já não ver a menina a algum tempo, lhe telefona para saber se ele passaria por lá, ele diz-lhe que não, mas se quisessem que aparecessem. Nessa noite envio-lhe uma mensagem a dizer-lhe que a nossa mãe já anda com algum sofrimento e que espero que perceba o que estou a dizer! Obviamente que os meus pais decidem ir, a neta é uma raio de luz e preferem sofrer para ter a compensação. No entanto estou triste e quando chego porque a minha cara não o disfarça, a namorada dele pergunta-me o que se passa e eu digo-lhe calmamente, mas obviamente triste, que não acho normal estando a minha mãe como está  ela ter de se deslocar para ir ver a neta! O meu irmão reaje violentamente acusa-me de maltratar as pessoas na casa delas chega-me a expulsar de casa e diz que levará ele os pais a casa! Choro imenso e tento telefonar à minha prima para me acalmar, pelo insólito da situação!
No meio destas tempestades e, por volta de meados de dezembro porque as coisas não estão a funcionar bem nos HUC em Coimbra, consigo arranjar consulta para um cirurgião em Lisboa (ainda irei postar), o meu irmão mostra desagrado pelo facto de o meu pai ficar sozinho. Mas a ironia, é que quando levo a minha mãe para Lisboa, o meu pai ficou cerca de uma semana sózinho, mas para salvaguardar que ele vai estando bem peço ao meu namorado que passe por casa todos os dias. Para meu espanto descubro que o meu irmão esteve de férias mas em nenhum momento tentou estar com o meu pai ou o convidou para estar com ele!
Posteriormente metem-se as férias do natal/ano novo, nesta altura as coisas atrasam-se ligeiramente, mas estão a andar. Entretanto a minha mãe já colocou o catéter mas aguarda uma ultasonografia (data 11 de janeiro)! Nestes meandros aparece uma convocatória de Coimbra, a que a minha mãe vai, pois poderia ter possibilidade de voltar para casa e ser mais depressa tratada. No entanto, não sente essa possibilidade e continua por Lisboa. Posteriormente recebe outra convocatória de Coimbra dois antes do início da quimio em Lisboa, falo com o meu irmão para esclarecer o que é aquilo e não sei o que ele faz, mas desmarca a consulta/exames e remarca para outro dia que coincide com a consulta de quimio em Lisboa. Fico obviamente furiosa por ele saber das coisas e ter feito aquilo, ele acusa-me de a minha mãe não estar a ser tratada por causa de mim porque a levei para Lisboa! Faz pressão junto da minha mãe e por motivos vários a minha mãe opta por ir para Coimbra !

Em Coimbra ocorre a primeira reunião terapêutica  à qual não vou e em que decidem que a minha mãe para evitar o entupimento do intestino, lhe fazem uma colostomia. Posteriormente em Fevereiro (quase final) inicia os tratamentos diários, excepto fim-de-semana, de rádio (25+3 sessões) e quimioterapia. Nos tempos que se seguem vou eu ou o meu pai com a minha mãe aos tratamentos, a partir de 11 de março a minha mãe consegue lugar no “hotel do IPO” e minimiza as deslocações diárias.
Nestes momentos, perturbou-me o facto de o meu irmão estando a trabalhar em Coimbra não prescindir de algum do seu tempo livre para poder estar com os meus pais ou com a minha mãe. Percebo perfeitamente que não queira pôr o trabalho de lado, mas tempos livres tipo a hora do almoço ou fim do dia, poderiam ter sido sacrificados um bocadinho mais do que foram. Muitas vezes o meu pai almoçou sózinho esperando pela minha mãe.
Numa altura o meu pai telefonou-lhe dizendo-lhe que precisavam de mais apoio, mais carinho e que achavam que ele não estava a ligar muito ao assunto, o meu irmão respondeu que tinha a vida dele, o meu pai desligou-lhe o telemóvel. O meu irmão, penso eu que arrependido voltou a ligar a minha mãe, que falou com ele dizendo-lhe que gostaria de ver mais vezes a menina, disse-lhe que também precisavam que ele apoiasse mais ao que acho que ele disse que se precisassem que dissessem....o que não percebeu é que aquele telefonema era exactamente um “precisámos mais de ti”.
... nos últimos tempos a única vez em que me lembro de ver uma reacção mais forte de apoio e indignação foi quando desmarcaram a operação no dia 5 de junho à minha mãe.
Saliento que não quero, nem nunca quis que ele pusesse a família dele em causa, mas acho que existem maneiras de conciliar. Tem a facilidade da proximidade geográfica, trabalha em Coimbra, mora relativamente perto dos meus pais, caso não se quisesse deslocar poderia telefonar mais vezes, poderia mostrar mais interesse por momentos importantes (consultas, decisões terapêuticas), nomeadamente falar com os médicos (coisa que remete para a minha mãe! Como se ela já não estivesse cansada de todo o processo!)
Poderia continuar com mais episódios, mais confrontos, para os meus alertas para o facto de ele não estar a dar a atenção necessária aos meus pais, para o seu distanciamento, mas iria cair tudo no mesmo... sinto-me triste pois este não coincide com o irmão que eu pensava ter!



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