segunda-feira, 1 de julho de 2013

Protagonistas: o médico-cirurgião


Conhecemos o médico na véspera da operação, penso que foi uma concessão de cortesia atendendo aos eventos da semana anterior – desmarcação da operação sem qualquer explicação formal da parte da cirurgia, excepto aquilo que foi transmitido pelo secretariado.

Fomos, eu e a minha mãe, e fomos cordialmente atendidas fizemos algumas questões nem sei bem quais, uma relativa ao tipo de operação, outra à questão do saco, e outra referia-se a se no dia da após a operação poderia falar com ele. Mas achamos que tinha sido uma visita de cortesia! Menos mal, existia disponibilidade e uma porta de eventual informação!

No dia da operação fui antes do horário da visita (atendendo ao horário que me havia indicado) para tentar o encontrar, e com ele falar. Estava nervosa pois era um momento basntante ansiado no último mês e, empolado pelos acontecimentos que se foram acumulando – datas propostas e voltadas a propor, contactos aqui ali para saber o que se passava com a marcação da operação sem obter respostas, entre a carta recebida do SIGIC (???), marcação da data, anulação da operação para a data e por aí.

No dia e na véspera pesquisei sobre o tipo de operação, uma amputação abdomino-perineal, inclusivamente à semelhança do que aconteceu na colostomia vi vídeos sobre a operação em si, pois gosto de saber como o fazem (apesar de saber que existem procedimentos que poderão variar). Pesquisei também sobre a técnica em si, e caso não esteja em erro, descobri datar do 1908 e foi proposta por Miller e por aí. Sempre que pesquiso baseio-me em fontes que considero fidedignas sejam elas teses ou dissertações na especialidade e artigos científicos...apesar de muita coisa me poder transcender, como será mais que evidente, mas sinto alguma segurança!!!!

Voltando de novo à cirurgia – perguntei várias coisas desde como tinha corrido, como era, quais eram as perspectivas, se poderiam existir complicações, perguntei também como é que era o estadiamento do tumor face ao que estava anteriormente e por aí! Foi-me respondido que a operação tinha corrido bem, que o tumor era muito grande e que agora tínhamos que esperar pela anatomia patológica para saber mais coisas sobre o tumor! E que fazia demasiadas perguntas e que tinha que ser um dia de cada vez!

Pois foi aí nesse momento dia 7 de Junho...”um dia de cada vez”...que a esperança transmitida por um outro cirurgião “a senhora tem um cancro localmente avançado mas que tem cura!”me foi posta em causa. Racionalmente sei que os dias se sucedem um de cada vez, mas gostava de vislumbrar mais do que o dia, entendo que talvez aquele não fosse o dia, mas queria e quero acreditar que existe um futuro e, gostaria que alguém mo dissesse!!!  No ridículo da questão reconheço a possibilidade de 50% de podermos morrer, em cada momento que passa, por um evento qualquer!

Outros , dois, contactos se sucederam e cada vez que falo com ele, além de me fazer sentir ridícula por fazer as questões que faço, sinto-me vazia, recebo respostas evasivas e sem informação. Sinto falta de condescendência para chegar até mim e nos dar tranquilidade simplificando as coisas que vão ocorrendo ao invés de lançar coisas para o ar deixando um rasto de quase nada.

Todavia resta-me a esperança que na falha dos dotes de comunicação/contacto lhe sobejem os dotes no bloco e arte de extrair aqueles monstros, pois se assim for da minha parte perdoar-lhe-ei, sr. Dr, a falta de jeito que tem tido para connosco!!!


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