Conhecemos o médico na véspera da
operação, penso que foi uma concessão de cortesia atendendo aos eventos da
semana anterior – desmarcação da operação sem qualquer explicação formal da
parte da cirurgia, excepto aquilo que foi transmitido pelo secretariado.
Fomos, eu e a minha mãe, e fomos
cordialmente atendidas fizemos algumas questões nem sei bem quais, uma relativa
ao tipo de operação, outra à questão do saco, e outra referia-se a se no dia da
após a operação poderia falar com ele. Mas achamos que tinha sido uma visita de
cortesia! Menos mal, existia disponibilidade e uma porta de eventual informação!
No dia da operação fui antes do
horário da visita (atendendo ao horário que me havia indicado) para tentar o encontrar,
e com ele falar. Estava nervosa pois era um momento basntante ansiado no último
mês e, empolado pelos acontecimentos que se foram acumulando – datas propostas
e voltadas a propor, contactos aqui ali para saber o que se passava com a
marcação da operação sem obter respostas, entre a carta recebida do SIGIC (???),
marcação da data, anulação da operação para a data e por aí.
No dia e na véspera pesquisei
sobre o tipo de operação, uma amputação abdomino-perineal, inclusivamente à
semelhança do que aconteceu na colostomia vi vídeos sobre a operação em si,
pois gosto de saber como o fazem (apesar de saber que existem procedimentos que
poderão variar). Pesquisei também sobre a técnica em si, e caso não esteja em
erro, descobri datar do 1908 e foi proposta por Miller e por aí. Sempre que
pesquiso baseio-me em fontes que considero fidedignas sejam elas teses ou
dissertações na especialidade e artigos científicos...apesar de muita coisa me poder
transcender, como será mais que evidente, mas sinto alguma segurança!!!!
Voltando de novo à cirurgia –
perguntei várias coisas desde como tinha corrido, como era, quais eram as
perspectivas, se poderiam existir complicações, perguntei também como é que era
o estadiamento do tumor face ao que estava anteriormente e por aí! Foi-me
respondido que a operação tinha corrido bem, que o tumor era muito grande e que
agora tínhamos que esperar pela anatomia patológica para saber mais coisas
sobre o tumor! E que fazia demasiadas perguntas e que tinha que ser um dia de
cada vez!
Pois foi aí nesse momento dia 7
de Junho...”um dia de cada vez”...que a esperança transmitida por um outro
cirurgião “a senhora tem um cancro localmente avançado mas que tem cura!”me foi
posta em causa. Racionalmente sei que os dias se sucedem um de cada vez, mas
gostava de vislumbrar mais do que o dia, entendo que talvez aquele não fosse o
dia, mas queria e quero acreditar que existe um futuro e, gostaria que alguém
mo dissesse!!! No ridículo da questão reconheço
a possibilidade de 50% de podermos morrer, em cada momento que passa, por um
evento qualquer!
Outros , dois, contactos se
sucederam e cada vez que falo com ele, além de me fazer sentir ridícula por
fazer as questões que faço, sinto-me vazia, recebo respostas evasivas e sem
informação. Sinto falta de condescendência para chegar até mim e nos dar
tranquilidade simplificando as coisas que vão ocorrendo ao invés de lançar
coisas para o ar deixando um rasto de quase nada.
Todavia resta-me a esperança que
na falha dos dotes de comunicação/contacto lhe sobejem os dotes no bloco e arte
de extrair aqueles monstros, pois se assim for da minha parte perdoar-lhe-ei,
sr. Dr, a falta de jeito que tem tido para connosco!!!
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