Por Natureza somos mãe e filha, pela
vida torna-mo-nos cúmplices. Muitos poderiam pensar, e, alguns pensam, ao ver-me
com ela que sou filha única, vislumbram uma eventual dependência que consideram
típica. Mas enganam-se, não, não sou filha única nem sou a mais nova e, além
disso sou extremamente independente, sai de casa para estudar tinha 17 anos e
até aí sempre que me podia escapar ou me queiram levar eu ia, aliás desde que existo
- segundo relatam os que me viam, ia atrás de qualquer um que me desse meio
dedo de conversa. A relação não é de dependência é sim tão só muito amor,
admiração e orgulho e, da minha parte falo, ter a maior sorte do mundo por ter
nascido filha da minha mãe!
Não sei explicar, acho a minha
mãe uma mulher inteligente, curiosa, altruísta (eu sou mais do que ela...também
a vida deve tê-la contido), comunicativa (bem mais do que eu), criativa e
também corajosa (talvez mais do que eu!), bastante organizada
(coisa que não lhe fui buscar), tinha como sonhos, simples – casar, ter filhos,
construir uma casa e ter um carro: conseguiu tudo e ainda mais! Não escreveu o
livro, mas tem apontamentos de mil e uma coisas dispersos desde as contas, as
aventuras nos médicos e isto e aquilo! Também plantou árvores muitas, sobretudo
ultimamente, gostava de plantar carvalhos ! Adora flores e jardins, mas insiste
contra minha vontade, em plantar as flores às filas como se fossem as cebolas
da horta – insisto em que defina quadrados ou círculos mas ainda não a
consegui convencer – teimosa! Aderiu apenas à poda das roseiras como lhe tinha
ensinado!
Quando apareço porque basicamente
desde 2005 tenho estado sempre longe, apesar das regularidade dos telefonemas,
ficamos à conversa e mais conversa o que suscita ciúmes ao meu pai que diz que
não nos calamos. Falamos de quase quase tudo, dos meus casos das minhas
aventuras, das nossas tristezas, alegrias, de quem gostamos de quem não
gostamos - temos sempre imenso que dizer!
Acresce ainda ter sempre usado coisas
dela, tem coisas intemporais e para meu bem, bem conservadas: sejam botas, carteiras,
roupas algumas com mais de 30 anos! Volta e meia vou buscar algo ao
guarda-roupa, redescobrindo algo mais!
Gostamos imenso de viajar
(digamos que a minha mãe acaba por viajar comigo quando regresso e lhes mostro
as fotografias de onde estive e por onde passei, inclusive por vezes
recomenda-me viagens porque viu isto ou aquilo numa determinada reportagem) e
de decoração – casas e coisas manuais são a nossa perdição (aliás gostamos de
ver as revistas em conjunto para irmos mostrando e opinando).
Sei também que o o maior sonho
dela para mim era que tivesse uma casa, mas ela sabe tão bem como eu, que eu
não pertenço a lado nenhum!!! O meu lugar é aquele onde me sinto bem!!
Basicamente adoro a minha mãe e
temos uma relação de extrema cumplicidade, na realidade sinto que sou a
extensão dos sonhos dela! Daquilo que ela gostaria de ter feito, mas devido aos
condicionamentos sociais e pessoais acabou por não fazê-lo e acaba por vivê-lo
através de mim...por isso tenho uma responsabilidade e a tal dependência ! Ela
é simplesmente o meu maior amor;)
A tia Arminda é a maior :D
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